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SAUDADE SOLIDÃO

 

(do livro “Última Mulher”)

 

Quem soube o amargor do bêbado que é não ter mais para beber quando mais quereria?

Quem sentiu a saudade mais forte que a sabedoria?

Quem continuou na alegria, mais forte que o tempo?

E o silencio, onde nada faz barulho e se perde o orgulho e se dá um grito?

Quem já sentiu o amargor do amor que é ver a noite chegar sem ter e querer?

Ter que odiar e amar?

Ver estrelas descerem e com elas nem conversar?

Quem soube que se fez açoite a areia que o vento buliu e a noite que partiu?

Quem pela areia em noite escura seguiu,

Ao som do mar e a espuma branca por lhe guiar?

Quem mais destrinchou seu coração na amarga noite de solidão,

A cada pegada que o pé na areia deixou?

Caminhar até ser areia e bruma que o mar misturou.

Desde que anoiteceu até que o sol raiou.

Quem estas palavras diz, confessa:

Eu fiz.

 

 

Jairo Martins