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Grandes poetas têm me enviado textos,
agradeço por me darem pretexto
para inspiração, coragem e alegria,
dádivas puras da poesia
Também levanto o meu cálice,
Brindando convosco este ápice
Que nos ala, protege e acalenta,
Fazendo a alma sair da placenta.
As palavras por nós proclamadas,
Acrescentam nobreza ao que é belo.
Num colar de cristais tão singelo
Nossas lágrimas são transformadas.
Brindemos ao sal do oceano,
Bebamos o balanço do mar.
Há um abismo entre sonho e engano,
Por isso, poetar, navegar!
Dancemos ao som dos trovões,
Na chuva e ao vento também.
Pois, lá dentro dos corações,
Possuímos o infinito e o além.
Caminhemos por sobre este solo,
De flores, de espinhos, não importa!
Atravessemos de pólo a pólo,
Colhendo frutos da fértil horta.
Vivamos esta efêmera vida,
Como se eternidade ela fosse.
Pois temos essa guarida:
Transformamos o amargo no doce.
E neste breve instante apenas,
Descubramos que o eterno aguarda.
Poetas, nós somos mecenas!
Poesia não falha e a vida não tarda.
CHEIRO DA MORTE (Jairo Martins)
Angústia que invade o coração,
Sem alívio ele busca a liberdade
E se ofusca diante de quente clarão,
Um fogo consome a tranqüilidade.
Astúcia do ser de amar feito flor,
buscando ligeira suavidade
como se fosse a paz inimiga do amor,
como se fosse a vida eternidade.
Ilusão que brota do interior
fazendo de nós uma flor em botão
exalando de si misterioso olor,
entorpecendo assim a poderosa razão.
Obliterada visão cheirando a mistério,
mantidos contatos de gosto e de tato.
E o gelo do morto no cemitério
inexorável encarcera o místico fato.
Diante da morte e de outros confins,
vagueia errante um solitário.
E enquanto apodrecem terráqueos afins,
sorri ciente de que a morte é um falsário.
Agonia infinda em que ninguém pensa,
esta vida ainda é a que mais compensa.
E do outro lado como será?
Ninguém quer saber, deixar como está.
Serei eu que te espetarei com o tridente?
Será um querubim a te buscar triunfante?
Ou seria o tema inconveniente?
Amarro-te na morte só mais um instante?
Liberto-te da ilusão desta vida?
Entrego-te a mais um tormento?
Abro-te esta horrenda ferida
Dizendo que é rápido aqui teu momento?
A mim mesmo faço o que agora te faço,
quer gostemos ou não desta ida.
Espera-nos a morte com fatal abraço,
Abracemo-la! Pois faz parte da vida.
Jairo Martins
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