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GRATIDÃO       

(excerto do livro ‘O ARAUTO”)

 

 

Esse por do sol, essa calmaria...

Esse penteado das nuvens ao entardecer,

Alicia-me, vicia-me,

Chama-me a viver.

 

Esse céu azul e branco meio escuro prateado...

Gratifica-me essa visão.

Faz-me pela vida apaixonado,

Deixa-me forte e com razão:

 

De não saber nem como agradecer

Ao grande dono desta casa tão linda.

E deixo uma lágrima pela face descer,

Extrato puro do prazer, de ser vivo, ainda.

 

Este vento nos cabelos,

Deixando árvores faceiras,

Rediz todos os apelos

Para que tenhamos almas verdadeiras.

 

Agradeçam cada respirada,

Amem cada minhoca ou borboleta.

Pois em breve seremos página virada,

Cedo, cedo sairemos do planeta.

 

Pois quanto mais aqui tivermos amado,

Mais amor na outra vida será encontrado.

Pois se aqui de amar não fores capaz,

Na outra vida não terás o abraço da paz.

 

 

Jairo Martins