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AO CAPITALISTA

(do livro “O Anticapitalista”)

 

Há muito tempo eu vivi calado e não falava nada.

No sono e no sonho, de alma acordada,

ouvia a tudo o que diziam

e a coisa que não ouviam

também era escutada.

Agora ao me espreguiçar,

levanto-me e então vou falar:

Pendurem-se nas suas próprias gravatas

e verão que está sem osso o pescoço.

Assinale nas atas seu moço,

que agora tem gente falando grosso:

A “grave ata” que atada à goela,

Fecha-lhes a janela.

E por isso degola todo o seu charme

de trazer nesta gola, a desonra dela.

É este o desarme a toda a falácia

dos homens que ao invés de pescoço

levam no dorso como você,

toda esta farmácia da mentira falada,

entregando o poder à primícia instaurada

da malícia maldita que não pode ser.

Assim vou falando sem querer ofender,

a todos que escutando já conseguem entender.

São tão simples palavras, jogadas assim no papel.

Vê se da vida em que lavras, também vem de volta o mel.

São avisos que dou, vêm das coisas que sou

e quem ouvir já levou o que o comunicado informou.

 

Jairo Martins