Conheça melhor Jairo Martins

ALIVIAR UMA DOR  

(do livro “Mazela Poética”)

 

 

Que serviria à dor que sinto como anestesia?

Algum lenitivo seria curativo à minha agonia?

Valho-me do escrever, talvez em desabafo,

Só para ver se destas dores me safo.

 

Que não murchem no peito tão lindas flores

Brotando macias, com perfume perfeito.

E em negros dias, suas múltiplas cores

São doces estrias que tecem meu leito.

 

E se agora a tristeza lhes toma o lugar,

Talvez seja grandeza este meu suportar.

Pois não me falta alegria de poder enxergar

Que está na poesia o elixir de curar.

 

Assim é que levanto, vou correndo viver,

Enxugando meu pranto neste pobre escrever.

E dedico este canto que saí a cantar,

Para quem sofre tanto também se curar.

 

Jairo Martins