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PARADOXO

(do livro “Mazela Poética”)

 

 

Eis tua face em pleno horror e beleza.

Simultâneas, tua sabedoria e pobreza,

teu amor e tristeza.

Tua dança estática, tua mente pragmática

e o erro de tua matemática.

Espelha-te no profundo reflexo de ti mesmo

e verás que não fazes nexo

e teus pedaços se partem e se fundem

num paradoxo complexo.

Olha o texto que produzes sem saber de onde vem.

O tempo fala a verdade pela boca da experiência

e a mentira da boca da maledicência o tempo cala.

Eis teu sorriso que escarnece de ti,

que inexato e impreciso pereces.

Eis tua glória maldita que é a bendita história

não contada e incompreendida,

que jogada ao nada, ficou escondida...

 

Jairo Martins