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Ser poeta é quase uma fé,
Dessa forma atrela-se o pé
A alvores d' estrada além-vida,
Antes mesmo de ser conhecida.
Hoje morto, declaro, e sempre:
Quando tudo, antes nada valer.
Os caminhos vêm ao conhecer,
Quem puder e quiser que os enfrente.
Fácil fazer poesia? Talvez seja.
Desse tempo, se o passo a limpo,
Um pouco mais no paço sobeja
E transpondo o suposto limbo
Da poesia ainda mais se deseja:
Aparece, é assim que ocorre,
O céu ou o inferno que seja
Amadurece e depois escorre.
Não possui vedados acessos
Nem no inferno, no limbo ou no céu,
Pois caminha através dos processos
Ao mesmo tempo juiz e réu.
Condenação, dever e direito
Num só verbo sem poder decidir
Deixa justo, preso e aceito:
Poesia só faz CONSTRUIR!
(Jairo Martins)
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