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SABIÁ I

 

Canta sabiá do bom agouro
Que teu canto é logradouro
Pra expiar as minhas mágoas.

Canta sabiá que é vindouro
No teu canto um rio de ouro
Em teu trinado ricas águas.

Canta sabiá o trilo agreste
Enquanto a mata se reveste
Em tom alegre musical.

Canta sabiá que já me deste
O doce gosto tão silvestre
Vem cantar no meu quintal.

Canta sabiá preta plumagem
Que a vida é uma viagem
Toda feita de beleza.

Canta sabiá nessa paisagem
O teu canto é de passagem
E guardarei sua riqueza.

Canta sabiá uma vez mais
Que aqui serei capaz
De aprender a cantoria.

Canta sabiá manhãs florais
Que teu canto é de paz
E eu só quero harmonia.

Canta sabiá na minha eira
Melodia tão fagueira
Que eu só quero escutar

Canta sabiá na mata inteira
O teu canto é de primeira
E eu até quero voar

SABIÁ II

Pousa sabiá encorujado
Neste ramo aí parado
Que eu canto para ti

Pousa sabiá aí calado
Se do canto estás cansado
Que o descanso é por aqui

Ouve sabiá meu assobio
Melodia que a ti crio
Já que agora é minha vez

Ouve sabiá não é tardio
Este dia por um fio
Nesta hora que se fez

Fica sabiá adormecido
O meu canto é agradecido
E me deixa assobiar

Fica sabiá que faz sentido
Que assim tenhas dormido
Cantarás ao clarear

Dorme sabiá até amanhã
Sente a calma noite irmã
Que eu fico assobiando

Dorme sabiá que de manhã
O teu gorjeio com elã
Estarei só escutando

Sabes que aqui não tem gaiola
E também ninguém te amola
Neste teu adormecer

Sabes nesta Terra que é uma bola
Liberdade é mestra mola
Meu impulso de viver

 

(Jairo Martins)