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NATUREZA E HOMEM  

(excerto do livro ‘O ARAUTO”)

 

 

É lindo o por do sol em sua eternidade.

E na quebrada das ondas, o sorriso branco do mar.

Lindo é ouvir as flores a falar de felicidade,

Lindo é sentir o amor e poder voar.

 

Riachos entre pedras todos risonhos,

Árvores envoltas na beleza da liberdade.

Passarinhos cantando melodias de sonhos,

Só mesmo Deus é criador de verdade.

 

Sublime é o azul de todo o céu,

Onde nuvens mesclam mundos de algodão.

E quando o sol poente lhes veste de negro véu,

As estrelas diamantes me tocam o coração.

 

Existe música no assobio do vento,

Roçando nas árvores, alisando as areias, encrespando os mares,

Trazendo a paz.

E em pingos de amor desce a chuva em movimento,

E cada flor se renova, cada riacho recresce, cada bicho se refresca,

A natureza se refaz...

 

De repente, cessou a harmonia.

De repente, uma nota desafinou.

A natureza mumificou-se na fotografia

E a semente da ignorância germinou.

 

É verdade que com o tempo tudo passa...

Mas muita coisa nesse meio vai ficando.

Está ficando só o resto e a fumaça,

Da natureza que estão consumindo e liquidando.

 

Crenças, conceitos, normas e definições.

Números, contas, bombas, erros e dor.

Mentiras, guerras, ódios e ambições.

Cadê a paz, cadê a luz, cadê o Amor?

 

Mundo, força eu te peço,

Para resistir a tanto que te fazem.

Quem me dera ver um dia o regresso,

Do artista que construiu a paisagem.

 

 

Jairo Martins