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A última rosa colho
das flores da minha vida.
Hora de pisar em abrolho,
Tempo de enfrentar a ferida.
Turvo é o reflexo do olho
Que vejo na rosa querida.
Caminhos já não mais escolho,
Porém não perco a guarida.
Descubro-me reles piolho,
Mas sei como dar a mordida.
O silencio que ora recolho
É prenúncio de alma traída.
O sangue escorre e não tolho,
Deixo aberta a sua saída.
Como é torpe o amargo do molho!
Gosto de esperança esvaída...
Mesmo assim à dor não me encolho
Até última gota vertida...
Sei que fica na rosa o ferrolho,
Sou espinho na rosa colhida.
(Jairo Martins) |