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Água aos cavalos
Cansados da troça,
De puxar a carroça
Pela estrada da roça
Que não tem intervalos.
Capim aos heróis
Cansados da lida
De levar nesta vida
Sua cabeça erguida
Às luas e sóis.
Luz à visão
Dos cavalos e éguas
Que cavalgaram sem regras
As pradarias sem tréguas,
Galopes do coração.
Atingiram as metas:
Descobrir o intangível,
Enxergar o invisível,
Enfrentar o horrível.
É missão dos poetas.
Água aos cavalos,
Capim aos animais
Que de tão serviçais
vão rompendo os umbrais,
Libertando vassalos.
Água ao cavalo
avesso à cavalhada
segue desenfreada
sua feliz cavalgada
sem cessar o embalo.
Água ao cavalo
que não permite maneio,
que já perdeu todo freio,
que não se prende a esteio,
não temendo o abalo.
As rédeas e arreios
Atirados ao chão,
Um veloz alazão
Com um grito de NÃO
Tropa aos corcoveios.
Cavalo sem água
Que por todo o meio
Escoiceia o correio
E a mensagem que veio
Vai lavar sua mágoa.
Este é o fim da agonia
Prado verde brotado
Cessa o trote apressado
O animal tem pastado
No campo da poesia.
Jairo Martins
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