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DOÍDA VIDA DE IDA

 


Ao porre duradouro, ilusão da vida,
Feito bois ao matadouro somos nós caminho de ida.
O que ferra o coração, a certeza de então,
Olhos esbugalhados, goles entorpecidos...
E cedo se vai est'água-vida, engolida pela garganta tempo.

Durante a descida, tantas frutas desfruta-se no couro,
Cuspímo-las por bolsas de ouro,
Enquanto segue solta esta agonia do evolar-se.

Não mais que um segundo de tempo primeiro tem-se aqui.
Por único tento sem volta está tua estrada,
Estátuas na entrada, sarcófagos de saída.
Bendita e amada vida, aprisionada no lógico,
Escorrendo por um furo de ponteiro no relógio.

O macaco olha passivo o passar do tempo,
Vendo inexorável o crivo que lhe chama para o vento...

Não mais que isso, nem menos...
Mas pelo menos, um porre de vida!

Jairo Martins