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ÓBITO

 

Abaixo a nobre Poesia,
prostrado seja todo Amor!
Viva mesmo a Burguesia,
ou qualquer coisa sem valor.

Admita-se primeiro,
poderoso este Senhor,
cujo nome por inteiro
é das almas Predador.

Estilhacem-se os olhos
ora cegos pelo amor,
para serem os espólios
deste rei destruidor.

Esmoreçam corações
tão movidos a fervor,
enregelem-se razões,
haja vista este calor.

Por um preço de banana
é trocada a valia,
vai morrendo o que ama
se a bolsa está vazia.

Uma ode ao dinheiro,
causador de tantos débitos.
Mais caixões ó marceneiro
e sepulte grandes méritos.

Uma ode ao capital
e a seus soldados mórbidos,
precursores de um mal
que produz os nossos óbitos.

Que se enterre toda ética
de um sincero coração.
Vale mesmo é a métrica
desta pobre abonação.

Está seco o sentimento,
nos bonecos dos cifrões.
Isto aqui não é lamento,
é adeus e saudações!

 


Jairo Martins