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OUTRO POEMA
 

 

Quero outro poema melhor do que este,
Falando ao sistema de seu desinteresse
Pelas coisas válidas; de dentro da gente.
Que venha colorir as caras pálidas,
Impávidas na impáfia permanente,
De um vermelho-sangue-quente.

Quero, nem que último poema seja,
Que violente o ventre da moeda-mãe.
A estéril cara perder a coroa que sobeja
No estilhaço metálico da granada nua.
E no silvo do tiro me beija,
Ouvir o canto de gente boa na rua.

Quero, nem que seja o poema pior,
Venha armado de pontiagudos argumentos,
Derrubando a cartola desse estado-maior
Que arranca das bocas, lamentos.

Quero afinal, uma bomba poética
Que estoure num milhão de dentes
A roer o eixo dessa engrenagem patética,
Feito festa popular servida a pães quentes.

E na ciranda da vida, um poema doce.

Jairo Martins